Você vai se apaixonar por esses colares bordados à mão

Conheça a criadora da Amagnólia, marca que resgata a nostalgia da infância

Publicado em 08/02/2018
Colares bordados da Amagnólia

O resgate da memória e ancestralidade, a valorização da sustentabilidade e a criação de objetos duráveis e com significados são algumas correntes que acompanham uma nova geração de designers de moda pelo país. Bem como vimos aqui no Sou Moda, com as histórias da designer Mirella Rodrigues e sua marca Think Blue e de Isabella Blanco e sua label homônima. 

Em Santa Catarina, Magda Brandelero faz o mesmo com a Amagnólia Simple Creativity. A marca se inspira em movimentos como slow fashion e do it yourself (DIY) para confeccionar minibastidores bordados à mão. As peças entram em colares e o resultado são peças repletas de nostalgia, renascendo lembranças da infância e de figuras femininas de nossa história.

Ao Sou Moda, Magda contou mais sobre suas inspirações e, também, como sua própria história e o fascínio pelo bordado a incentiva na confecção dos colares.

Magda Brandelero sorrindo

Magda Brandelero começou a bordar aos oito anos, quando aprendeu os primeiro pontos com uma vizinha. "Quando criança, eu ficava impressionada ao observar os desenhos recebendo forma e ganhando vida. Me questionava como as nossas mãos tinham o poder de fazer coisas tão bonitas."

Quando Magda cresceu, ela ressuscitou a técnica, que ficou adormecida durante toda a adolescência. Mas a designer começou a enxergar o bordado de outra forma, fornecendo novos significados. A beleza dos pontos minúsculos passou de contemplação para uma busca por autoconhecimento.

Convidada por uma professora da universidade, Magda ministrou aulas de bordado para detentas de Florianópolis e de Jaraguá do Sul. Ela encontrou o prazer em ensinar, e sentiu-se fascinada ao acompanhar a evolução pessoal de cada presidiária que se relacionava com a arte.

"Percebi que a prática do bordado era como se fosse uma terapia para elas. Me diziam que a atividade as transportavam para outros lugares e fazia o tempo passar mais rápido. Também notei que elas ficavam muito mais calmas e tranquilas."

Após a faculdade, a designer buscou uma oportunidade de trabalho nas indústrias têxteis de Jaraguá do Sul, porém sem sucesso. Mas, ainda assim, sua dedicação pela técnica só aumentou, inspirada pelo sentimento que o bordado causou nas detentas.

"Como eu ficava muito sozinha, passei a bordar mais. Se fazia bem para as detentas, o mesmo poderia acontecer comigo. E hoje, para mim, o bordado é quase um tipo de meditação, autoconhecimento, relaxamento e é onde encontro os meus insights."

Em um desses momentos de reflexão nasceu a Amagnólia. A marca completa dois anos e arranca suspiros por onde passa. "As pessoas ficam hipnotizadas. Elas sempre acabam procurando a avó que faz os bordados. Nunca imaginam que sou eu", brinca Magda.

As suas peças são inspiradas em paixões que ela cultiva desde a faculdade, como ilustrações botânicas do século XIX, tingimento natural e formas orgânicas.

"Eu não queria cair em um clichê, por isso investi em uma pegada natural. Gosto de caminhar bastante e observar a natureza, por isso que bordo tantas flores, insetos, fungos e cogumelos."

A Amagnólia já lançou diversas coleções cápsulas, entre colares com árvores, gatos, cogumelos e orquídeas. Tudo com uma carinha vintage, voltada para o design afetivo e emocional. Para isso, ela usa a técnica do bordado livre: ponto haste, ponto atrás, ponto folha, nó francês, rococó, ponto margarida, matiz, ponto cheio.

As peças variam de R$ 60, para colares bordados com mini bastidores únicos, até R$ 136, para os modelos com mais módulos. Mais informações, você encontra no Instagram da Amagnólia.

Por Mayhara Nogueira

Foto: Divulgação/Amagnólia