Genderless: J Boggo é a marca que você deve conhecer

Confira entrevista com Jaison Bogo, que assina roupas livres de padrões

Publicado em 11/01/2018
Jaison Bogo com vestido da marca J Boggo

Marcas autênticas e com personalidade, que emprestam a energia vibrante de seus criadores, estão crescendo em grandes proporções no Brasil. Mais do que coleções inspiradoras, na maioria das vezes, essas labels nascem com propósito, ética e em consequência de um despertar. 

E justamente nesse sentido, uma das marcas que está ganhando espaço no país e conquistando famosos, como o jornalista Pedro Andrade e a atriz Nanda Costa, é a J Boggo, de Blumenau (SC). Jaison Bogo (38) é quem comanda o atelier slowfashion e constrói, de forma autodidata, roupas de malha com modelagens genderless (sem gênero).

Ao Sou Moda, o estilista contou sobre a quebra de padrões que sua marca traz e como foi o seu próprio processo de redescoberta para apostar em um negócio totalmente novo e intimista. Confira:

A J Boggo nasceu em decorrência de uma transformação pessoal de Jaison Bogo, que deu uma reviravolta em sua própria vida. Ele foi casado, é pai de dois filhos e dedicou a maior parte da sua vida profissional a uma grande confecção de fast fashion. Contudo, resolveu abandonar esse estilo de vida, a fim de se reencontrar. 

"Quando eu tinha uma grande confecção, vários funcionários e lojas, achava que tinha uma vida incrível e era feliz. Incrível zero. Eu assumi o que eu realmente sou. Se eu gosto de meninos ou meninas não importa. Rompi com padrões e com um sistema no qual não me encaixava", explica o estilista.

 

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Durante o processo terapêutico de redescoberta e conexão consigo mesmo, nasceu a J Boggo. A marca se dedica à fabricação de peças handmade, focada no estilo comfy e traz à discussão um dos assuntos mais relevantes do momento, a questão do gênero na moda.

"É uma roupa que libera todo os potenciais e o que as pessoas têm de melhor. Não procuro dar formas, tamanho e gênero. A pessoa vai se empoderando", afirma Jaison. "O meu propósito é romper barreiras, dissolver tristezas, paradigmas e tornar a pessoa livre", acrescenta.

 

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Jaison Bogo explica que quando produz um vestido, não pensa que a peça será destinada a uma mulher. Ele prefere subverter essa ideia. "Adoro pegar bases femininas, ideias de gênero e, por fim, transformar no oposto. Eu uso o volume feminino e coloco nas roupas masculinas".

Para ele, "há milênios, as pessoas seguem e acreditam nas convenções de moda, mas tudo é uma mentira". "Como eu posso dizer que um pedaço de pano, em formato de saia, é uma peça só de mulher? E que o rosa é apenas uma cor feminina?", questiona. 

Estrutura intimista e clientes estrelados

Com base na estrutura slow fashion, o ateliê da J Boggo trabalha com apenas três funcionários. Jaison Bogo prioriza retalhos para fazer algumas peças, que depois de dias de dedicação se tornam exclusivas.

"Recentemente, produzi duas saias com um pedaço de pano careta que eu encontrei. Hoje, quando eu olho o tecido não penso mais em quanto eu quero ganhar em dinheiro, mas como a peça pode ficar maravilhosa", afirma. 

Vestidos, macacões, saias e calças amplas - em cores sóbrias, como preto, branco, cinza e tons terrosos - fazem parte da identidade de suas coleções.

E por conta da autenticidade de suas modelagens, a J Boggo vem conquistando clientes estrelados. A modelo Mariana Weickert e o top maquiador Fernando Torquatto são vistos com frequência usando a marca. 

Venda à moda antiga

 

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Jaison Bogo se considera um caixeiro viajante, pois faz questão de encontrar amigos, parceiros e clientes para apresentar a marca. Por isso, ele desistiu do e-commerce que mantinha. "Ainda não é o meu momento de vender dessa maneira fria", explica.

Por isso, para comprar uma peça da J Boggo, é preciso recorrer ao Instagram ou e-mail. "Tenho pontos de venda no Brasil, visito muito as pessoas, gosto de ter uma relação próxima. Até uma regata simples é vendida depois de uma conversa e estabelecer uma relação. Naquela venda acontece tanta coisa, você não consegue imaginar a minha satisfação".

Por Mayhara Nogueira

Foto: Divulgação/J Boggo