Conheça o MagMov, armário compartilhado no Rio de Janeiro

Rafaela e Samira oferecem alternativa consciente para repaginar o visual

Publicado em 09/04/2018
Rafaela e Samira da MagMov

A "economia compartilhada" está mais presente na vida contemporânea do que se imagina. Geralmente, o termo é usado para descrever atividades envolvendo transações online, de troca de bens e de serviços. A lógica do negócio impulsiona empresas poderosas como a Uber - focada no trabalho colaborativo no ramo do transporte - e o Airbnb - voltado para o mercado de hospedagem. Na moda, a economia colaborativa vem expandindo territórios. 

Há décadas, é comum alugar vestidos de festa - incluindo o de noiva - para aliviar o orçamento. Nos últimos anos, o aluguel de bolsas e outros acessórios de grife, para quem não tem a oportunidade de investir em algo parecido, também aqueceu esse mercado. Por conta desse sucesso, as possibilidades aumentaram, e agora o serviço vem se estendendo para todo o guarda-roupa. Empresas como a MagMov, do Rio de Janeiro, dispõem de peças do dia a dia para quem deseja dar um upgrade no estilo e reduzir significativamente o consumo. O Sou Moda conversou com a administradora Rafaela Garcia - sócia da engenheira Samira Gontijo -, que revelou como nasceu e funciona essa ideia. 

Foi plantada uma semente

Rafaela explica que a MagMovsurgiu como resposta aos seus próprios anseios. Ela passou anos gastando dinheiro e acumulando uma infinidade de peças que eram, muitas vezes, usadas apenas uma vez. Até que um dia, ela percebeu que o consumo desenfreado ocorria em consequência de algo muito mais profundo. 

"Trabalhava em uma multinacional e ganhava bem, mas algo estava errado. Aquele trabalho não me preenchia e eu não sentia que estava fazendo um bem maior. Não percebia que eu justificava e descontava a minha infelicidade no consumo", lembra.

Outro fator que contribuiu com a mudança foi o documentário The True Cost (2015), que mostra o impacto negativo da indústria da moda nos âmbitos sociais e ambientais no mundo. "Comecei a perceber todo o mal que eu fazia para mim e também para o planeta - uma vez que eu só comprava roupas de fast fashion", aponta.  

Rafaela começou a estudar o assunto, parou de comprar e passou a se desafiar a usar o que já tinha no armário. A economia também foi crucial para planejar a transição de carreira. Contudo, o divisor de águas foi o curso de consultoria de moda das stylists Cris Zanetti e Fê Resende, da Oficina de Estilo. "Compreendi que a roupa é uma forma de expressão. Sem padrões e com sentido humanizado. Um trabalho que começa de dentro para fora", explica. 

O florescer da MagMov

Rafaela descobriu que em São Paulo existiam três empresas que ofereciam guarda-roupa compartilhado, enquanto no Rio só havia uma única opção. Foi aí que a administradora se juntou com Samira para abrir o negócio em 2017. O acervo foi construído inicialmente a partir do guarda-roupa da dupla, depois peças da família e então com doações de amigos. 

"Não fazia nenhum sentido comprar roupas para colocar na loja. Fizemos um evento de troca chamado Jardim Mag, em agosto do ano passado, com o nosso círculo de amizade. Conseguimos fazer um workshop contando a filosofia, explicando a importância do consumo consciente e depois fizemos as trocas. O pessoal saiu bem mexido", conta.

Em novembro de 2017, as amigas abriram o site, onde disponibilizam três planos de aluguel: R$73 por mês, que garante 100 pontos e a oportunidade de pegar quatro peças por vez; R$132, o equivalente a 200 pontos ou até 8 peças, e R$164, até 10 peças e 250 pontos. Cada roupa tem uma pontuação específica, sendo o vestido de festa a maior delas. 

"Temos clientes que escolhem looks para serem usados o mês inteiro. É uma forma de experimentar acessórios, estampas e modelagens que não se têm no guarda-roupaOutras pessoas preferem alugar, usar no final de semana e já devolver na segunda. Dessa forma estão sempre variando as possibilidades. Isso pode ser feito de forma ilimitada com qualquer um dos três planos no período de um mês", afirma Rafaela. 

Para pegar ou devolver, a empresa oferece algumas opções. "Existem pontos espalhados pelo Rio, como na Barra da Tijuca, Gávea e Leblon. Vamos expandir ainda mais esse número de acessosOutra alternativa são os correios, no entanto o pagamento é feito à parte", completa. 

Os três planos ainda garantem meia entrada em atividades organizadas pela empresa, que é aberta ao público: como o Workshop de estilo - Roupas como forma de expressão e a Jardim da Mag, iniciativa de conscientização e troca de roupas. Além disso, elas ainda recebem doações, que são revertidas em pontos para quem deseja alugar as peças ou comprar no bazar, organizado pela dupla, com roupas que custam de R$10 a R$100. 

 

Bem vestida, porém consciente

Por conta da rotação de doações recebidas e garimpos realizados pela dupla em brechós pelo mundo, o acervo da empresa é variado. Além de peças vintage, também existem roupas atuais e de labels famosas. Entretanto, Rafaela não gosta de divulgar as etiquetas disponíveis. "Queremos desconstruir essa ideia. Não importa a marca, a roupa precisa ser capaz de expressar a sua personalidade. Por isso, disponibilizamos uma grande diversidade de peças de vários estilos."

Rafaela comenta que à primeira oportunidade, a maioria das pessoas adere ao serviço com o intuito de modificar o guarda-roupa. "Geralmente, a filosofia sustentável não é o primeiro atrativo. Porém, com o tempo eles percebem que estão participando de algo maior."

Por Mayhara Nogueira

Foto: Divulgação